ESPORTE

por Adriano Rodrigues

Nada de
futebol arte,
o que importa
é ganhar


Olá, amigos e amigas!
Embora o mundo esportivo não pare por causa da Copa, pensar em outra modalidade neste período fica bem mais difícil. A novidade é velha, o assunto, então: futebol. Confesso que não foi fácil acompanhar os jogos da Copa na primeira fase. Foram 48 jogos disputados com nível técnico baixo e pior média de gols de todos os tempos: 2,01 por partida. As equipes, niveladas por baixo, fizeram prevalecer o futebol de resultados, jogos burocráticos e times pragmáticos. Fora Brasil x Coreia e Brasil x Costa do Marfim, não consegui assistir a nenhum jogo na íntegra. Vi um pouco de tudo e de todos, mas nada me surpreendeu. No jogo Brasil x Portugal, eu até dormi no sofá. Até o fechamento desta coluna, consegui assistir aos seis primeiros jogos das oitavas. Fiquei com a impressão de que melhorou um pouco. Já que não temos técnica, pelo menos temos emoção. Por força editorial, escrevo esta coluna com certa antecedência, sendo assim, um balanço completo da Copa só na coluna de agosto. Talvez você esteja lendo esta e já saiba o campeão ou esteja bem próximo de saber. Tomara que seja o Brasil.

O ideal é ter melhor qualidade
técnica, mas a equipe dirigida por
Dunga mantém a regularidade

Sempre preferi o futebol espetáculo, porém, acompanhando os jogos do Brasil, me rendi à modernidade e agora entendo perfeitamente o que acontece. O Brasil desta Copa é um time de operários, seguidores obedientes do treinador e de sua filosofia. Não convence, mas vence, e isso é o que vale. Copa do Mundo é para se ganhar, e não para dar espetáculo. Claro que o melhor é aliar as duas coisas, mas a prioridade é sempre a vitória. Nos próximos quatro anos, o nome lembrado será o do campeão. É por isso que se deve ser menos rigoroso com o futebol apresentado pela seleção brasileira. O ideal é ter melhor qualidade técnica, mas a equipe dirigida por Dunga mantém a regularidade, seja nos triunfos, seja no desempenho que raramente empolga, o que não é exclusividade brasileira. As rivais Argentina, Holanda e Alemanha também estão na mesma balada. Nenhuma seleção mostrou nada de novo ou especial. Todas contam com craques que podem decidir jogos, o que pode fazer a diferença na reta de chegada. O Campeão, quem viver verá. Algumas seleções merecem destaque. Japão, Eslováquia e até a Coreia do Sul foram bons coadjuvantes, mas nada além disso. Futebol é um dos poucos esportes em que o mais fraco consegue vencer, e é isso que o torna apaixonante. Quero ressaltar a vontade da seleção americana, que ficou no caminho, mas acho que em 2014 será capaz de complicar a vida de muita gente. Americano, quando pega gosto por um esporte, sabe armar boas equipes e brigar entre os melhores, são táticos e pragmáticos. Se não esbarrarem em problemas políticos do seu país, podem ir mais longe aqui no Brasil. A celeste olímpica ressurgiu, após anos sem avançar etapas na copa, e até o fechamento desta coluna segue em frente, com grandes chances, eu diria. Fará com Gana, a representante africana que sobrou, a disputa para ficar entre os quatro melhores, um duelo de força contra a raça. Com certeza, esse eu vou ver. Como destaques negativos, Itália e França. Foi a primeira vez que o campeão e o vice da edição anterior não chegaram às oitavas de final. Itália e França, que em 2006 fizeram uma final cheia de emoção, agora tiveram de fazer as malas e voltar para casa mais cedo. A França apanhou no grupo A e saiu da Copa com apenas um gol marcado, um ponto anotado, desunião, falta de patriotismo e excesso de vaidade, tendo o ponto culminante na atitude de seu treinador, Raymond Domenech, recusando-se a cumprimentar Carlos Alberto Parreira, num gesto patético, que envergonhou seu povo e seu belo país. A esquadra Azurra, por sua vez, não foi nem sombra de time de futebol. Sem esquema tático definido, com um ataque inoperante e seus jogadores mais experientes em má fase, sucumbiu diante de um grupo relativamente fácil.

Tristeza foi ver a anfitriã África do Sul ser eliminada tão cedo. Mas foi bom vê-los ganhar da França. Eles mereceram. Mas, por causa do saldo de gols, ficaram de fora… pena mesmo. Carregando vuvuzelas, tambores e bandeiras, pintando o rosto, usando perucas coloridas e fazendo coreografias nas arquibancadas, os torcedores africanos mostraram ao mundo como deve ser o apoio a uma equipe de futebol. Mesmo com resultados adversos, os torcedores não paravam de cantar, dançar e incentivar suas equipes. Agora, se uma vuvuzela incomoda muita gente, imaginem 40, 50, 60 mil dessas dentro do estádio... haja tímpano!!!

E a arbitragem, hein? Os velhinhos da Fifa não querem ajuda da tecnologia. Quanto a isso, concordo plenamente, mas algo precisa ser feito para melhorar o nível dos árbitros. Erros de arbitragem interferem na história, mudam resultados, beneficiam infratores e tiram a credibilidade do esporte. Errar não é uma exclusividade dos árbitros brasileiros, não. Juiz erra aqui e em qualquer lugar do mundo, e essa é uma coisa que não gosto de comentar. Muito se falou sobre a jabulani, a bola da Copa. Tive a oportunidade de testá-la. Gente, é ruim mesmo, me impressiona que hoje em dia, com tanta tecnologia, aprovem uma bola como essa. É uma falta de respeito para com os profissionais! Eu não compraria a jabulani nem para jogar no terrão.

Já disse aqui que entendi o propósito da seleção, e até me rendi ao futebol de resultados, torço para que o Brasil seja campeão, mas não torço pelo Dunga. Eu o acho arrogante e prepotente. Poderia ter facilitado as coisas, mas dificultou; poderia ter mudado a imagem, mas só fez para piorar. Ele tem razão em alguns pontos, sim, mas bater de frente não é a solução.

Aguardo todos na próxima coluna, até lá.


Adriano Rodrigues. Formado em Rádio e TV e Gerenciamento de Esportes. Vai do curling ao hipismo com o mesmo entusiasmo. Está sempre com um olho no lance e não perde a trajetória da bola, principalmente se estiver em campo um certo alvi-negro paulista. Mas se esforça para colocar a paixão em perspectiva e se rende sempre ao encanto maior dos espetáculos esportivos.


Revista Circuito • Julho 2010