EDUCAÇÂO

por Claudia Siqueira

Biblioteca
nas escolas...
Agora é lei!

Você tinha conhecimento da lei que obriga escolas públicas e privadas a ter biblioteca? E olha que depois não sabemos por que nosso país não é levado a sério...

Fala a verdade!!!

Para refletirmos: em quantos países o governo tem de criar uma lei para que instituições educativas tenham uma biblioteca? Nãoé lógico pensarmos que o espaço escolar pressupõe, para sua existência, um bom acervo, uma biblioteca ou uma midiateca? Quantas e quantas escolas em nosso país não têm sequer um espaço físico reservado para acolher uma prateleira com livros? Outras, mas muitas outras, empilham livros e livros didáticos que recebem das editoras para análise em espaços que chamam de “bibliotecas”. Você não acha que o número de livros propostos na lei, para o acervo, beira o ridículo? Não deveria ser proibida a abertura de uma escola sem uma biblioteca com um acervo mais robusto que esse proposto pelo governo? Escolas com bons acervos, e que investem regularmente em sua atualização, demonstram explicitamente o que valorizam, tanto na formação de seus alunos quanto de sua equipe, concorda? Será que o governo tem de propor uma lei para que consultórios médicos ou dentários tenham equipamentos adequados para atender seus pacientes? Dez anos para a implantação? O que faremos com as gerações de alunos que ainda passarão por essas escolas?

Considerações... Será que os pais, ao escolherem uma escola para seus filhos, consideram como um critério a existência de uma biblioteca e a qualidade de seu acervo? Certamente perguntam sobre as quadras esportivas... Você já se interessou em conhecer melhor a qualidade do acervo da biblioteca da escola de seu filho? Já perguntou como é feito o programa de atualização, com que regularidade acontecem as aquisições e com quais critérios? O programa de atualização da biblioteca é feito com base na indicação feita pelos professores para aprimorarem suas aulas?

A questão das bibliotecas reacende
uma velha e conhecida discussão nos meios
acadêmicos: a fragilidade do nosso
sistema educacional.

Na composição da biblioteca existe um acervo técnico atualizado para a formação dos professores? Os alunos têm acesso a livros de literatura, DVDs de filmes e documentários, CDs de música? Isso pode fazer toda a diferença na formação de seu filho...

Assim... acredito que as escolas não deveriam esperar a lei, mas sim proporcionar a seus alunos uma diversidade de recursos, sejam literários ou tecnológicos, no processo de aprendizagem, para garantir melhores condições para estudo, pesquisa, diversão, conhecimento, descobertas e aprofundamento.

Como sabemos, pais leitores são referência para a formação de filhos leitores. Pais atentos à questão do refinamento intelectual de seus filhos se preocupam com a qualidade do acervo da biblioteca da escola que escolheram para seu filho, assim como pais ligados em tecnologia reparam nas salas de informática, e os que gostam de esporte valorizam as quadras esportivas...

Ao escolher uma escola para seus filhos, as famílias devem usar o mesmo rigor que usam ao escolher um médico. Ninguém se sente muito confortável ao chegar a um consultório que se resume a uma mesa, um telefone e um bloco de anotações. Queremos ver o diploma de uma universidade de primeira linha pendurado na parede, certificados de cursos de especialização, equipamentos deúltima tecnologia para a realização dos exames, ou seja, o consultório tem de ter “cara de século 21”. Por que com a escola tem de ser diferente?

A questão das bibliotecas, portanto, apenas reacende uma velha e conhecida discussão nos meios acadêmicos: a fragilidade de nosso sistema educacional, que não é mérito das escolas públicas, mas também de muitas escolas privadas.

Pais e escolas, atenção! Estar atentos à qualidade do que oferecemos às nossas crianças e adolescentes fará sempre, mas sempre mesmo, toda a diferença. Ambos devem saber onde fazer economia quando o assunto é garantir a qualidade da educação que desejamos.


O QUE DIZ A LEI

Todas as instituições de ensino públicas e privadas do país deverão ter bibliotecas, segundo lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicada no Diário Oficial da União do dia 25/5. De acordo com o texto, “considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura”.

O acervo mínimo exigido será de um livro por aluno matriculado. Caberá ao respectivo sistema de ensino adaptar o acervo conforme as necessidades, promovendo a divulgação, preservação e o funcionamento das bibliotecas escolares. As escolas terão até dez anos para instalar os espaços destinados aos livros, material videográfico, documentos para consulta, pesquisa e leitura.

Foi, também, publicada no Diário Oficial a autorização para que sejam instaladas salas de aulas em presídios, destinadas a cursos de ensino básico e profissionalizante. O texto, que altera a Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, entrou em vigor na data de sua publicação.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/05/25/lei-obrigaescolas-publicas-e-privadas-a-ter-biblioteca.jhtm


Claudia Siqueira atua há 20 anos na área de Educação. Historiadora, pedagoga, pós-graduada em “Aperfeiçoamento de docentes de Educação Infanti l e Ensino” (PUC), pós-graduada em “Pedagogia de Projetos e Tecnologias Educacionais” (USP), Magistério com especialização em Educação Infanti l. Apresentou projetos de educação no Japão, EUA, América Lati na e Europa. csiqueira03@gmail.com.


Revista Circuito • Julho 2010